Mais uma vez, José Serra ataca os professores.
Agora, o governador inventou uma tal provinha para os professores Ocupantes de Função Atividade (OFAs), alegando que tal provinha vai elevar o nível da educação.
Como o resultado não foi bom, Serra, para esconder o desastre da escola pública de São Paulo desses 14 anos, procura iludir a opinião publica, alardeando que são os professores os responsáveis pelo caos da educação.
Aqui, é preciso apontar o centro da questão.
Só alguém mal intencionado pode alegar que a formação dos professores é um problema individual de cada profissional. Isso é uma mentira. A formação - inicial e continuada – é parte de um projeto político pedagógico.
Que fizeram os governantes nesses últimos tempos? Fizeram e fazem vistas grossas para cursos de formação que tem problemas. Não há nenhuma fiscalização. Os donos de faculdades se enriquecem fornecendo cursos bastante limitados, (agora, os cursos são à distância) para aumentar o lucro de forma exorbitante. E Serra não faz nada em relação a isso, porque é amigo dos ricaços da educação.
Na Secretaria de Educação de São Paulo, não existe nenhum processo pedagógico de avaliação de todo o sistema educacional que aponte os problemas, mas que, principalmente aponte medidas qualificadas para solucionar as deficiências existentes. Aí é simples e fácil culpar e punir os professores que, junto com a população, são as vítimas do mercado de ensino que reina em São Paulo e no Brasil.
Essa tal provinha não faz parte de um processo de avaliação voltado para superar os problemas. Ela só serve para classificar e gerar competição.
É mesmo muito engraçado, Serra insinuar que são os professores os responsáveis pelas salas superlotadas ao lado de sala fechadas, pela falta de material didático, pela falta de segurança, pelas drogas na porta da escola, pelas péssimas condições de trabalho, pelo autoritarismo da direção escolar, pelos baixos salários, pela promoção automática em que a qualidade de ensino é sacrificada em favor de mera estatística.
Cabe aqui uma perguntinha: nessas condições, mesmo um professor sem problemas de formação conseguiria desenvolver um bom trabalho?
Inês Paz Professora e presidente do PSOL